domingo, agosto 05, 2018

Incêndio.


Você entra pela porta da frente.
É o único jeito de me encontrar. Parece surpreso, corpo meio bambo, sua boca ansiando-me. Não consigo encara-lo, só sei sentir o quanto meu corpo se choca dentro dos seus braços, em um abraço fervendo, pulsando.

Só quero me afundar em você.

Não preciso nem calar a tua boca, afinal, prefere mordiscar cada milímetro da epiderme quente em te oferecer a única coisa que eu posso oferecer agora. A única coisa que eu quero te oferecer agora.

Cê nem entrou e já te quero no meu quarto. Agora. Na sacada? Na escada? Bom, na mesa daquele bar.

Enterro meus dedos em teu cabelo, são macios como quando viajo por seu corpo todo. Empurro você pra qualquer espaço livre do quarto.

Te olhar e desejar. Suas mãos perpassando o pescoço, devagar, sobre os seios, cintura e segurando firme a minha coxa colada em você.
E na cama a gente se junta. – Caralho! Só consigo pensar em como odeio te ver vestido. Já em cima arranco suas roupas, como se não tivéssemos tempo.

Bem, não temos muito tempo e eu detesto isso.

Eu me afogo em você, e me permito explorar cada pedaço teu. Começo pelo seu pescoço, respirando devagar, desço mais devagar ainda enquanto você acaricia todos os lugares que suas mãos conseguem alcançar.

Caminho lentamente entre o ombro, peito, barriga. Eu desceria mais.

Preciso de uma pausa pra voltar a beijar sua boca. Seus lábios saborosos feito açúcar, mas tem um gosto amargo no final, e você sabe o porquê. 

Tô perdendo o controle de mim e você gosta disso. Entrelaça meu cabelo em tua mão e puxa devagar, me carrega, me encaixa. Me faz perder mais do que o controle, você me faz perder a cabeça.

Sempre quero te sentir. Sentir o gosto de cada gota de suor enquanto minha língua percorre seu corpo, quente, naquele momento, meu.

Suas mãos e o estalar em todo lugar.
Devagar.

Tem feito frio lá fora, as janelas ficaram embaçadas, e é por isso que amo como você faz faísca e logo depois faz tudo pegar fogo. – Meu deus! Porque quando você chega minhas madrugadas viram dias ardentes, é... Você é o inferno.
O desejo borbulha feito o pecado enquanto você me devora e eu deixo essa merda toda queimar.
Há chamas por todos os cantos.

Eu deixo pegar fogo e ele se alastra pelo nosso corpo que só se separa por segundos.
Um ou dois segundos.

Desenho bruscamente a nossa noite em suas costas, fincando as unhas em busca de extravasar o prazer. Aperto-te contra meu corpo, mais rápido, eu não quero que essa madrugada clareie.

Em meio ao desespero você me olha e enquanto te encaro, o pouco que consigo, afinal, têm outras coisas me tirando a atenção. Enquanto você me encara eu lembro como é se sentir completamente em êxtase.

Você me explora nua.
E eu sou o que sou.
Crua.

Você acha que me conhece pouco, mas me conhece tanto que nem eu sei se devo me preocupar mais.
Me apoiando em você, enquanto você se aprofunda em mim, sussurrando no meu ouvido, mais rápido. Suas mãos no meu pescoço, sua boca que eu não consigo me distanciar.

Te olho e desejo te ver na minha cama, mais do que só hoje. Eu desejo mais ainda te ter entre as minhas pernas, além de dentro da minha cabeça.

Só quero que você me deixe em paz.

Tu faz tudo isso tão bem, e eu te odeio por isso.
Quando a gente acaba, ou dá uma pausa, porque pra gente, a nossa transa nunca tem fim...quando a gente se satisfaz você me abraça. Cê me envolve tão bem em meio a sua inconstância de ser o que quer quando quer.

De chegar quando quer. E de ir quando se envolve demais.

Eu te odeio por isso, e mesmo assim me permito queimar em meio a esse abraço do diabo e nosso quarto em chamas, enquanto o pecado me consome por aceitar te ter só mais essa noite.

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