Quando
você se deixa de um lado para o outro, vai sentindo e se deixando decidir da
maneira mais pura – e sincera, de onde começa a sua vontade. E vai abdicando
aos poucos das restrições criadas, involuntariamente, ao redor do mundo pessoal
e cultural na nossa mente.
E
vai retirando rótulos que intitulam sensações que nem sequer conseguimos ainda
reconhecer, mas enquanto continuarmos correndo incessantemente a procura de
respostas cabais tudo que fazemos é deixar-nos pra trás, ao avesso.
Esse
avesso é a vida, e a vida que nos transborda é arte. A arte de sentir prazer ao
desvelar-nos dentro da luz e escuridão que somos.
E
a gente vai deixando um pouco dessa vitalidade por aí.
No
céu,
no
sopro,
no
outro,
no
corpo,
como
pensamento, toque ou no ecoar suave do timbre da voz.
Você
começa a sentir o sangue percorrendo por cada canto do corpo, fortalecendo e
finalmente tirando-nos a lucidez racional – se é que é tão racional assim.
Percebe que se perder, nem é tão desesperador, talvez até um pouco revigorante,
nos faz descartar as certezas pra oferecer o palco para nossos sentimentos.
Enquanto esse
processo acontece, a gente vive e deixa toda essa vida transbordar... No
recitar de uma poesia, na ponta do pincel ou até num olhar reflexivo pra dentro
de nós mesmos.

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