Nas
noites que eu consigo dormir, tenho sonhos. E lembro-me de todos eles, sejam
eles bons desses que me fazem acordar sorrindo, ou até mesmo dos ruins que me
obrigam a despertar no meio da noite receosa.
Passei
a questiona-los frequentemente. Questionar a veracidade das sensações e
sentimentos que nele são penetrados. A única coisa real é o que sentimos
enquanto estamos afogados em nós mesmos num sono profundo e gostoso?
Pra
onde vamos enquanto sonhamos? Pra fora? Ou pra parte mais crua e inconsciente
de nós?
Prefiro
pensar na junção mais do que harmônica desses dois aspectos. Como se ao
adormecer eu saísse por aí, conhecendo o mundo e pessoas. Bares e rodas de
samba. E no meio desse passeio um tanto quanto alucinante vou me reconhecendo.
E
com os sentimentos que são finalmente exteriorizados e retirados de mim, nem
sempre da forma mais sutil, mas há quem diga que somos afogados por algumas
ondas durante a vida.
Em
meio aos meus sonhos estive por becos escuros, tão escuros que cai em buracos,
rolei e possas, pisei em muitos ovos e sangrei por esbarrar em vidros, senti a
aflição de estar perdido. Perdido decidi sentar e me acalmar, uma hora ou outra
o dia teria que clarear.
Choraminguei
um bocado, perdi o ar feito criança quando faz birra, e não há nada de errado
nisso.
Nessas
andanças deixei muita coisa ir, deixei-me livre pra me perdoar, e me aceitar com
cada pedaço que estava fora do lugar. Os dias ainda clareiam durante essas
caminhadas, tem um sol tão quente igual abraço de mãe.
Encontrei
partes minhas no beco, no bar, na praia. Tô organizando a casa toda de novo ao invés
de me mudar. E aí eu desperto desses sonhos loucos e indecifráveis, ora
sorrindo, ora chateada, mas ultimamente me arrumando.
Tem
sensação que não me cabe mais, mesmo eu sendo tão imensa de alma; Tem espaço
pra tanta coisa boa, pra erro, acerto, pra mim, incertezas e descrenças; tem
espaço pra gente real, que sangra e respira fundo igual eu. Tem tanto espaço
que nunca deixarei de me encontrar. De me consertar. De me amar. De ser. Só
ser.


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