terça-feira, março 15, 2016

Linear


Há meses que não consigo profanar nenhum maldito sentimento. Eu gostava. Gostava de explodir no peito. Acelerar os passos só pra te ver passar. Pulsar o corpo inteiro por ansiar-te. Gostava de abrir os olhos só depois de sentir teu cheiro –que cá entre nós, fora o melhor perfume que já sentira- do lado direito da cama.




E continuava a gostar mesmo salivando de vontades tuas. De estagnar os dedos por teu corpo, puxar-te os cabelos e fincar-te as unhas na epiderme. Gostava sim, gostava de caçar-te por cantos vazios de bares e encontrar –porque tu também estavas a me procurar-.


Gostava tanto que te reencontrei em mim.


Nessa perspectiva de enxergar além, mesmo que o mundo todo tenha desabado. Talvez seja essa uma das milhares coisas que me fazem gostar. Gostar de sentir arder sensações indescritíveis. De ouvir a chuva e perceber que o cobertor nem é tão felpudo e quente sem você por perto me enchendo de cócegas.



Ah, como eu gostava de contornar tua silhueta com as unhas, ouvindo o estalar de qualquer gemido que saia dos teus lábios. Gostava de te beijar no escuro do carro, no escuro do quarto e só a Lua iluminando a gente. Gostava de me esconder e esperar que tu despisse todos os segredos.

Eu gostava tanto que chegava a incomodar. Tirar-me noites de sono, pensamentos a fio.

Gostava.

Quando na verdade, continuo a gostar.

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