Assisto tudo queimar
Dentro dela, querida.
Ela transparece a calmaria eterna, tão pra lá do Universo convencional. Nunca fora assim, não costumava desarmar-se da vida.
Um jardim qualquer, ou seu jardim repleto da essência natural do ser... torna-se lamentável ver a indiferença dela. A indiferença diante a vitalidade.
Algo a vem degradando, tão angustiante quanto um coração estraçalhado, partindo do 'clichê' generalizado, e não é com isso que a mesma se importa.
Sinto-a queimar, o sangue pulsar, as veias; os olhos, o corpo num desalento para com si só. Parece fogo, mas não cheira a paixão, contudo possui um gosto que amarga a boca, amarga o céu. Ela hesita e continua a queimar, aguentará mais uma noite? Semana? Década? Sua ajuda não provem da pena ou entusiasmo, sua ajuda vem da calmaria que ela costumava cultivar em seu jardim e ramificava por horas, e por noites deixava-se pingar saturada, impotente de recompor-se por instantes e nova ao amanhecer.
Assemelha-se a zombaria ou sono, mas desconfio que seja angustia e uma pitada de ansiedade. Pelo início? Fim? Ou recomeço?
Quem sabe amanhã a fumaça não tape seus olhos e polua seu 'ar'? Torne-se nevoa ou caia a florescer? Quem sabe? Quem sabe no amanhã eu deixe de ser 'ela'.

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