Você enche os pulmões do maldito ar que os destrói aos poucos
Fecha os olhos e deseja que a noite chegue pra poder deitar na cama, e por lá ficar
Como esquece?
Que somos eternos.
Vive esperando por situações vazias que não exigem responsabilidades
Esquecemos que somos eternos
Pra alguém já fomos, podemos ainda ser
Eternos naquela fotografia que nos faz gargalhar
Nas poças que pulamos naquela quarta feira chuvosa
Infinitos em cada entrelinha desse texto
e ainda naquela música que costumávamos cantar bêbados lá no porto
E como nos esquecemos?
Que cada um deixa-se por aí
Num legado
Lembrança
Em pedaços
Nessa nossa juventude inconsequente
E gloriosa
Que chegamos a limitar ao questionarmos sobre o que nos vale realmente a pena...
Podemos esquecer isso
E valorizar o instante
enquanto ainda estamos por aqui
Presentes
correndo por essas ruas de pedra
Enxergando da janela esse céu nublado que nos emociona
Porque podemos
E somos
Infinitos na carícia que passeia sua silhueta
Dentro os sonhos que nos fizeram acordar na madrugada
Vamos
Sentir o gosto das bocas que já provamos
Daqueles corpos que colidiram
Dos abraços inexplicáveis
Entende?
Não há como esquecermos de nos sentirmos infinitos
Porque é na verdade
o único propósito que nos mantém vivos eternamente
nessa poeira cósmica e maré quântica
que é o Universo.

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