Eu sei, querido. Eu sei que a vida é feita de retornos. De
mudanças. De transformação. Eu sei que tem pessoa que vai embora. E fica. E tem
quem fique por perto. Eu sei que existe quem se enjoe. Ou te enjoe;
Eu sei, querido. Eu sei que nunca é o fim do mundo. Apenas o
fim da noite. Ou do momento de tristeza. Mas nunca o fim da vida. Eu sei que
talvez seja exagero. E que a Lua retorna mesmo quando as nuvens querem deixá-la
pra lá...
Eu sei, querido. Eu sei que as sensações são maravilhosas.
Às vezes explosivas. Até mesmo destrutivas...
Mas você não sabe. Não imagina o desespero que formiga pelas
veias. Que passeia junto ao sangue.
Não suportaria a intensidade das sensações,
do exagero que me salta os olhos todas as vezes que eu penso em fugir. E toda
vez que eu penso em voltar. A desgraça que cai sobre o pensar, todas as
malditas vezes que eu tento não pensar.
E eu falho. Comigo. Com a felicidade. Com tudo o que não
encaramos e eu encararia. A minha falha foi mergulhar e continuar respirando...
E falando. Chamando-te.

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