domingo, novembro 16, 2014

Alaranjar.


Às vezes acordo em meio a madrugada, ainda sonolenta, devagar e sozinha acreditando que o Sol está nadando pelo mar. Involuntariamente abro as janelas e me dou conta de que o espetáculo da Lua ainda não terminou.
É tudo tão cinza, semelhante a mim.


Permanece ali, sereno, servindo de cenário para as nuvens, ventos e a luz. Escurece e ilumina. É quente e às vezes gélido. Um pouco doce e muito azedo. O céu que é lar. E parece mar em dias de Lua cheia; Ôh céu! Guarda meus sonhos que espero teu raiar, tuas ondas de nuvens e tempestades de ventos. Teu degradê de cores, ramificando a vida.

É...
Eu estou sentada observando-te dormir ou fingir que dorme. Nessa vagareza de soprar areia, a areia faz meu leito, e estou por ai, perdida na tua imensidão.

Azul, lilás, coral. Diga-me, como não me encantar por ti? Como não sorrir para ti? De ti e contigo? Como não deixar que me leve? Fujas comigo, pois já perdi-me de lá. É...
Às vezes espero mais do que deveria de mim, e então me perco. Mas de ti eu só espero o conforto e que teu colo me carregue todas as manhãs. (Não é exagero, não é carência, é vivência de permanecer no teu afago)

Eu te espero.
Assim como eles também te aguardam.
E o mundo quer o teu abraço.
O abraço que os faz abrir os olhos e reviver.



Espero seu nascer perante essa imensidão desconhecida. E então renascer junto à teus raios que me banham de harmonia. Limpam minhas lágrimas e me arrancam dos finais. Os finais que eu nunca completei. A vida que ainda aspiro.

Querido seja o céu, Sol, ventania, seja o que for... renasce todas as manhãs, preenche-me de calor e esperança. Preenche-me com teus tons alaranjados e seu esfumaçado dos algodões que são as nuvens, transborda-me para que (eu) me devore e fuja.

  Para renascer amanhã.             
E depois.                                  
Pela minha limitada eternidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário