terça-feira, julho 30, 2013

Canção amarga.



Meu grande exagero, pequeno e querido desespero. Deveria sentir-me de tal forma? Qual é o problema em pensar, querer, desejar uma utopia inútil o suficiente, além de incerta do sucesso?
O som de cada acorde parece estar atribuído a teu corpo, ouvir e lembrar das tuas mãos deslizando em meus fios ondulados de cabelo, afastando a mecha e colocando-a atrás de minha orelha. Então tuas mãos passaram por meus lábios -que ainda ansiavam pelos teus-, caminhando pela silhueta que momentaneamente foi tua -não inteiramente-... estacionou teus dedos gélidos em minha cintura; Você quer que eu fique? Quer ir comigo?
A voz rouca que toma conta dessa bela canção entra em contato com o subconsciente perturbado pela chuva, pelo frio ou quem sabe por ti?
(Aquecendo-me) Tornando tua pele meu cobertor, fora temperatura qualquer, esse é o motivo por colar-te em mim.
O Sol pareceu se atrasar, (temos) apenas algumas horas; entre o sossego e o martírio, quem diria?
Os calafrios ironicamente não foram causados pelo frio, o choque de nossa epiderme me fez sentir e usufruir de prazeres. Odeio relacionar teu sabor e ficar em duvida sobre o doce ou amargo; teus lábios tocaram minha testa; depois juntaram-se aos meus, o mesmo aconteceu com nossos corpos.
Quando o Sol nasceu fechei os olhos e querendo cerrar os lábios sussurrei a despedida, tua súplica por minha permanência perdeu-se no silêncio que mantinha em cativeiro.

Um comentário:

  1. Sempre usando de palavras que ao ler, causam certa euforia para não querer terminar. Ótimo texto, assim como todos os outros. Parabéns guria!

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