segunda-feira, dezembro 26, 2011

De sua pior admiradora.

Ó, querido natal,
Deitada em minha cama mofando sob algumas lembranças, passei grande parte de sua véspera esperando com que algo o fizesse valer a pena...talvez o tenha feito, mas não à mim. Depois de uma tarde cansativa (de tanto pensar querido, de tanto esperar por mais um dia) arrastei-me até o banheiro ou pra ser mais específica à debaixo do chuveiro. Gota por gota, caindo, escorregando...Estavam entrando pelo ralo, porém não somente elas. As lágrimas quentes haviam vindo me visitar, mas logo desciam junto com as gotinhas de água do chuveiro, por quê elas não levaram junto todo o meu desespero? ; E passar minutos, horas querendo lembrar onde errei, por que não me escondi, não omiti?
Embrulhada na toalha semelhante a um presente de natal, caminhando sobre o chão frio desejando uma tosse, gripe repentina que me fizesse ficar em casa; Natal nunca foi pra mim uma data para grandes comemorações, a não ser seu significado que não quero entrar em detalhes nesses texto pois não estamos lidando com religião e sim em como eu me sinto em relação a essa data; Esperei um pouco mais, deixei-as escorrer quando meu rosto já estava completamente seco e logo eu estava encharcada de sensações doloridas rasgando meu peito.
Parcialmente pronta para o Natal: roupa, cabelo, maquiagem (só faltou acalmar o psicológico)[...] Enfeites todos em seus devidos lugares, presentes debaixo da árvore, familiares chegando, um clima típico de qualquer natal por ai. Álcool na geladeira e a comemoração havia começado.
O badalar do sino tocou à 00:00 , todos esbanjavam alegria, entregaram presentes, trocaram risos e sorrisos; Mas querido, lá estava eu, sentada observando de longe todo o alvoroço, afinal, encontros festivos nunca foram o meu forte e nem de meu agrado. 99% das pessoas embriagadas cantarolando ao vento, rindo feito hienas (achando graça do que realmente não havia graça) , e então conversa vai e vem, minha mente perdida em outros pensamentos tentando se distrair nos olhos de qualquer pessoa (por que diabos eu não sou capaz nem de me divertir?);
O copo na minha frente, eu o observava como se fosse algo de outro mundo (estranho, não?) , nele observava meu reflexo um tanto quanto tristonho e infeliz[...] Levei-o até a boca e virei deixando toda a amargura descer pela minha garganta, talvez eu tivesse a esperança de queimar até um possível desmaio (mesmo sabendo que isso era completamente impossível); 1,2,3,4 copos e já havia começado a ficar um pouco desnorteada, efetuei algumas ligações que consequentemente me trouxeram nostalgia, a qual se apossou de meu corpo e alma.
Eu já esperava pelo o que essa madrugada me traria[...] Brincadeiras que só são engraçadas para quem as pratica, e lá estava um casal brigando, discutindo, novamente rompendo os juramentos feitos na igreja. E novamente eu apenas ri sarcasticamente, de que adiantaria me apavorar? Todo ano é assim, por que seria diferente desta vez? (Nunca foi um problema pra mim sorrir e fingir não se importar, e essa madrugada seria da mesma forma que outros dias)
O tempo passava esbarrando em mim (de tão rápido) e quando fui me dar conta no relógio já se marcava cinco e meia da matina. Deitada no colchão esperando com que meu pai pegasse no sono para que eu finalmente me desmanchasse em lágrimas, de novo. Ele estava sentado de olhos fechados cantarolando Legião Urbana como se fossem duas horas da tarde, começou a me cutucar, empurrar e logo quando percebi ele já estava gritando comigo. Eu sabia que seu nível de álcool no sangue era bem maior que o suportado sem qualquer mudança de comportamento, e eu fingia que dormia enquanto as palavras ruins continuavam ecoando em minha mente, continuavam entrando em meu ouvidos. (enquanto as lágrimas desciam sem ele sequer perceber)
Enfim às seis da manhã ele finalmente deixou-se vencer pelo sono, e eu estava em "paz" (mesmo que a paz não existe nem mesmo dentro de mim) . Peguei meu diário e uma caneta, com uma blusa xadrez gigante de meu pai sentei na beira da piscina e comecei a escrever, escrever sobre a frustração de passar todos os natais chorando por ser humilhada e ver pessoas sendo também. Por sentir aquele frio na barriga e querer ter uma armadura naquele instante pra se proteger de tudo e todos. Fiquei escrevendo sobre a minha dor esperando que vocês sentissem um pouco do que eu passei (mas não pra doer em você e sim pra aliviar em mim).
O dia clareou, e permaneci o observando mudar seus vários tons azulados (na esperança de olhar pro céu e renascer junto à ele), já eram sete da manhã quando eu resolvi beber meu café e afundar minha cabeça no travesseiro (e nas músicas) [...] Dormir e esquecer (dessa madrugada assustadora) , esquecer de que eu ainda não esqueci nenhuma parte de ti que continua em mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário